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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A VAIDADE DO MILITARISMO É TAMANHA QUE, UM CERTO CIDADÃO: HOJE NÃO MAIS PODENDO OSTENTAR O BRIO DO MILITARISMO PÔIS JÁ NÃO O É MAIS. VAI A UMA EMISSORA DE TELEVISÃO E DIZ QUE UM PAI DE FAMILIA PERDEU O EMPREGO PORQUE ELE MANDOU O SOLDADO APAGAR UMA LUZ E MISSÃO NÃO FOI CUMPRIDA. ESTE É UM ANALISTA DE SEGURANÇA

Sobre a vaidade no militarismo estadual



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ó glória de mandar! Ó vã cobiça! Desta vaidade a que chamamos fama!
(Luiz Vaz de Camões-
1524//1580)


O maior problema da velhice não é o velho, mas o moço que o trata como tralha destinada ao despejo num canto qualquer para que se desintegre e suma do mundo. Incrível é que o jovem não se antevê num futuro de igual velhice, nem atenta para o fato de que muitos como ele não desembarcarão nas últimas estações da vida. Sim, o moço vive uma “juventude eterna”, não percebe a decrepitude tomando o seu corpo, embora ela se ponha evidente ante a imagem irreversível de si mesmo no espelho, ou pelo alerta de uma nova safra a lhe chamar de “tio”. Primeiro lhe assola o pânico, depois ele descamba para a irrealidade dos cosméticos tentando inutilmente burlar a velhice. Já é então um “moço velho”...
Acresce a esta contradição o exercício do poder, capaz de cegar maduros e imaturos igualando-os em estupidez. E quando o poder se associa ao dinheiro, o “moço-velho” perde definitivamente o sentido da realidade e parte para a dissimulação da aparência, agora com artifícios cirúrgicos ocultando-lhe rugas e pelancas, que permanecem, entretanto, intocáveis do lado de dentro. Ao fim e ao cabo, seu artificioso exterior sucumbe ante a velhice real e irreversível, e o fim do “moço-velho” é se tornar belo defunto. Mas a cultura do poder e do dinheiro associada à beleza não se esgota neste ponto: vai além e alcança a pomposidade dos túmulos, nos quais são gravados os títulos honoríficos do defunto e outras materializações da vaidade humana transmudadas para o corpo morto.
Tudo é vaidade!... E se lhe soma o orgulho, não o das boas ações, que faz bem, mas o orgulho prepotente, geralmente identificado por símbolos de exteriorização de poder e dinheiro. É o que chamo aparência de emblema ou de grife, falsa imagem que vai ao caixão, se extingue no túmulo, e em pomposa lápide se finge eternizar num cemitério geralmente visitado por poucos. Ah, como disse Fernando Pessoa: “(...) O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a vaidade em ação.”
Sim, vale o rótulo e não o remédio; vale o vidro talhado em cristal e não o perfume. E a essência de ambos − suas funções curativa e olorosa – perde para a forma vaidosa da apresentação, que custa mais caro. Sim, sim, vale a árvore frondosa a ocultar a floresta pantanosa! Mais que tudo, vale o poder de retaliar, eis como o vaidoso age, e se recusa a aceitar a fedentina daquilo que defeca em sanitários dourados, tal e qual o dejeto expelido atrás da moita por uma arraia-miúda, dejeto de pobre que às vezes fede menos por ser produto do nada...
O militarismo, por meio de seus símbolos pomposos, permite a vazão máxima da vaidade, e ela se torna irresistível. Como também disse o mestre Machado de Assis em conto ironizando a vaidade humana: “O alferes eliminou o homem.” E quando o militarismo decorre de imitação do original, espécie de “pirataria chinesa”, o problema da vaidade se expande à arrogância ao extremo de um Luís XIV: L'État c'est moi! Daí os excessivos paramentos que vemos nos reis e príncipes, nos imperadores e ditadores, nos militares de verdade e nos seus imitadores, estes últimos sempre almejando ser mais realistas que o rei, e para tal escopo se enfeitam como destaques de Escola de Samba.
É essa prática de militarismo que vemos em algumas instituições militares estaduais. Elas insistem na imitação deformada do autêntico militarismo, − aquele da disciplina consciente, inerente às Forças Armadas, − sem qualquer preocupação com uma identidade original e compatível com a realidade do que são no ambiente social: polícias administrativas de segurança pública. No entanto, preferem os “moços-velhos”, gestores de ontem, de hoje e de amanhã, praticar o militarismo caprichando na vaidade e na arrogância do poder, ignorando que são efêmeros depositários de uma eternidade que não lhes pertence nem a ninguém. Sim, ignoram sua única origem − são lídimos descendentes da ralé−, até que um dia se veem sem poder, e amargam a desilusão, e sofrem ante o oásis desfeito em fade-out, e morrem em indiferença até dos parentes e dos amigos que largaram para trás. Morrem sós, como, aliás, se fazem merecedores...

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